domingo, 29 de maio de 2011

Dessa vez, as palavras não são minhas - mas de alguém que faz parte de mim. Abro espaço para uma menina/mulher com jeitinho de peixe e gosto de cereja que, sincronizadamente aos batimentos do coração, ritmou lindas palavras em minha homenagem.

@você
Pensei em músicas pra te cantar.
Poemas pra te dizer. Idiomas pra te traduzir.
Sinônimos pra te descrever.
Frases feitas pra te impressionar.
Potinho pra te prender e te ter sempre por perto!

Muito romântico. Muito meloso.
Muito lunático. Descabível, oras!

Um sorriso imenso que revela um coração leonino,
generoso e, vezenquando, impiedoso!
Generoso com quem te quer bem.
Impiedoso com quem magoa seus carinhos.
De longe, o mais sincero.
De cara, o mais cético.
De repente, o indispensável!

Invariavelmente, o vício. Desde outras gerações, aposto.
Aquele olhar de policiar e ler um ao outro.
Na nossa onda, a sintonia é uma só.
Única pra mim e pra você.
Pessoal e intransferível!

Assim como o amor. Aquela mudinha que você plantou e floresceu.
E desabrochou. E cresce, dia após dia.

(Pra você que me completa e contempla com alegria e amizade... @lekssoares)


Por Gabriela Natsu
 www.palavrasritmadas.blogspot.com

terça-feira, 17 de maio de 2011

Assim sem disfarçar

Acidentalmente de propósito, deixei meu olhar descansar, joguei meu despertador dentro da lareira, peguei o controle remoto e sintonizei nas notícias e no canal sobre o tempo – alguma forma de saber mais sobre você. Estou tentando sintonizar você.
Inocentemente culpado, apaguei todas as luzes, tranquei a porta da frente e atrasei o seu relógio, tentando pausar o mundo e ouvir o seu coração para me guiar até você. Estou me guiando a você.
Sinceramente disfarçado, te mandei mensagens reclamando das horas, inventei fome para te chamar para jantar e expus meus sentimentos mais íntimos pra, depois, ouvir você. Estou afim de ouvir você.
Carinhosamente inibido, falei meias palavras, medi a sensibilidade do toque e controlei a força do abraço. Só não consegui diminuir o brilho nos olhos quando eles enxergam você. Eles estão, de forma sintonizada, afim de você. 

domingo, 15 de maio de 2011

Nada além do que eu sou

Destilar meu ódio ou só falar de amor? Sabe-se lá a diferença entre os olhos que enxergam e os que não querem enxergar. A subida é longa e o chão é de pedras. Dificuldade em domar minhas próprias pernas. O mundo se move, mas nem sempre a seu favor. Você precisa ter coragem pra provar o seu valor. Ao contrário da vontade esquecida por nós dois, o tempo não muda - não deixa nada pra depois. A gente tem que provar todo dia quem a gente é. Dolarizando a bandeira. Submetendo a questão. A marcha da falência dos valores da nação. Quando o salvador é o próprio vilão, ele salva o velho mundo com uma bala de canhão. Se adequar a certos moldes para moldar uma adequação. É preciso tudo isso pra uma falsa educação? Sem tempo pra ser nada além do que eu sou. Vou quebrando o quê não presta e juntando o quê restou.

domingo, 1 de maio de 2011

Mensagem ao sol



Quando você está aqui, eu me sinto bem. O lugar, as flores e o cheiro bom me fazem suspirar. Se eu volto, é pra me refazer. Alimentar a alma. Me reconhecer. Acabo de compreender seu devido valor, Estrela que, com seu brilho, me situa no mundo. Com você, vejo tudo mudar - dentro e fora de mim. Me saltam ideias ao amanhecer. Abro a janela e te convido a entrar - não pela porta. Esse tipo de entrada é pra outro tipo de Ser. Deixo que me conduza ao longo do dia e que, no seu fim, parta -  até que a saudade que sinto de ti me faça adormecer. Tudo bem. A janela aberta é a certeza de que você voltará para me despertar. Só não sei até quando. A falência do Ser Humano é extremamente compreensível, mas a de vocês, Estrelas, me intriga.


domingo, 24 de abril de 2011

Do amor


O meu amor sai de trem por aí e vai vagando, devagar, para ver quem chegou.
O meu amor corre devagar. Anda no seu tempo - que passa de vez em vento.
Como uma história que inventa o seu fim. Quero inventar um você para mim.
Vai ser melhor quando te conhecer. Olho no olho e flor no jardim. Flor, amor.
Vento devagar. Vem, vai, vem mais...

sábado, 23 de abril de 2011

Antes que os pensamentos se dissipem

Os sábios ficam em silêncio quando os outros falam;
Quando os sábios falam, os outros ficam em silêncio.
Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo;
Adultos evitam fazer perguntas para não ter que respondê-las.
As máquinas de fazer nada não estão quebradas;
Quando as máquinas estão quebradas, não fazemos nada.
As chuvas vêm da água que o sol evapora.
O sol é estrela quente que faz evaporar.
O brilho vem das outras estrelas que não são quentes.
Assim como nos sistemas biológicos, o Universo trabalha em homeostase.
As músicas dos índios fazem cair chuva.
Os dedos dos pés evitam que se caia.
Os rabos dos macacos servem como braços.
Os rabos dos cachorros servem como risos.
As vacas comem duas vezes a mesma comida.
As crianças etiopianas comem comida nenhuma.
Ambos são mamíferos. Uns tomam leite, outros não.
Movemos mais músculos para sorrir do que no halterofilismo.
Vamos mais à academia do que sorrimos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Lógica sem nexo


E então tudo começa a fazer sentido novamente. O brilho nos olhos, a risada boba, a mão sobre a outra, o beijo no final... Será que é isso mesmo? E, se sim, até quando vai durar? O ser humano tem essa necessidade de tatear a concreticidade do processo. É característico. Quase que instintual.
Dizem que antes de dar respostas, é preciso saber perguntar. É o que mais tenho feito. Será que é melhor contentar-se com um gole pra matar a sede quando se tem a possibilidade de possuir o rio inteiro? Será que é mais fácil continuar a caminhar rumo a um deserto seco e não-consensual, cheio de miragens, quando se sabe que tudo aquilo não faz parte do seu “eu”? E, falando em “você”, e você? É justo deixar de lado quem se realmente é? O belo se faz abstrato dependendo de quem o analisa. 
Interrogações demais pra exclamações de menos.
E o pior é quando tudo isso te leva a um paradoxo sem fim: Bom demais pra te fazer querer sair; perigoso demais pra te fazer querer entrar.
Eu entendo o que se passa no seu coração (apesar de não gostar muito de cardiologia). Não só do seu, mas do meu também. Às vezes, com a correria do dia-a-dia, até me esqueço dele, mas sei que está ali. Aliás, neste momento, ele se encontra num estado, quase que notório, de arritmia – não por batimentos de menos, mas sim por batimentos demais. Como ele bate acelerado quando te tenho por perto... E eu que achava que esse tipo de coisa só acontecia quando éramos adolescentes...
E eu que achava tanta coisa que não acho mais! Realmente, os primeiros meses do ano de 2011 valeram mais que 2010 inteiro. Mas isso não me faz aceitar a idéia de que em 2012 tudo se acabe. Pelo contrário, me faz querer que tudo dure por um período indeterminado. Pensei em usar a expressão “Pra sempre”, que costuma ser mais característica pra esse tipo de frase.  Mas acho que pra sempre, talvez, seja muito tempo. Pode ser que, em algum momento ao longo do caminho, sua sede acabe, o copo se quebre, você queira nadar em outras águas ou até mesmo se perder nas miragens no meio de tanta areia, mas tudo bem desde que, enquanto isso, cada página dessa história termine com um beijo no final.